Luciana Lóssio e a representatividade da mulher no país

A busca pelos direitos das mulheres cresce a cada dia. São vários os obstáculos enfrentados por elas, já que são sub-representadas em cargos de liderança, de serviços públicos, no mundo acadêmico, no setor privado, e até mesmo como eleitoras e na esfera política. Entretanto, no setor jurídico do país, no ano de 2013, com a posse da juíza Luciana Lóssio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a ter superioridade feminina, dos sete integrantes, quatro eram mulheres. Porém, nesse momento, os homens são a maioria no tribunal.

Uma das principais causas da discriminação das mulheres na vida política, reside no âmbito das leis, que limitam a atuação feminina. De acordo com a presidente do Instituto Paulista de Direito Empresarial, Karina Kufa, a lei de cotas é frágil e as coligações partidárias não estão preocupadas em dar suporte a participação feminina, e ainda afirma: “Muitas das candidatas são “laranjas” ou não recebem tempo de TV por parte do partido, nem o fundo partidário e nem tem uma grande doação de pessoas físicas. E para fazer uma propaganda você precisa de visibilidade e de dinheiro”. Para a ministra Luciana Lóssio, o ambiente inadequado em alguns partidos é uma das principais causas da situação das mulheres na política do país.

Assim como na política e em outros setores da sociedade brasileira, onde as mulheres são vítimas de estereótipos, a mulher também sofre discriminação no ambiente jurídico. Através da posse da ministra Luciana Lóssio, que no ano de 2013 representou a superioridade feminina no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar de hoje o cenário ter sido modificado, com a superioridade masculina, rompeu com um antigo paradigma, e abriu caminho para outras mulheres fazerem o mesmo, no âmbito político, e nos demais setores da sociedade.

Atualmente as mulheres ocupam apenas cerca de 10% dos cargos políticos do Senado e da Câmara. Para compreender melhor esse cenário, saiba que o Brasil fica atrás de países como Índia, Arábia Saudita e Iraque, em relação à representatividade feminina. O que mais espanta, é o fato desses países serem conhecidos no mundo todo por renegaram os direitos das mulheres. Na Índia, por exemplo, o nascimento de uma menina é considerado um desastre para a família. Para a sociedade indiana, as mulheres representam uma grande despesa financeira, já que ao casarem, a família da noiva terá que pagar o dote à família do noivo. Apesar dessa prática ser ilegal desde 1960, ela ainda é praticada pelos indianos.

A posse da juíza Luciana Lóssio é ser vista como um marco no que diz respeito a representatividade da mulher no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como no ambiente jurídico e político. Em um país onde as mulheres são vítimas de todo tipo de violência e discriminação, uma conquista como essa deve ser comemorada. Luciana Lóssio nasceu em Brasília – DF, se formou em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Além disso, possui três pós-graduações: em Direito Processual Civil, em Ordem Jurídica e Ministério Público, e a terceira em Direito, estado e Constituição. A ministra também compõe o Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (IBRADE).