Luciana Lóssio defende a lista fechada para aumentar a participação feminina na política

Luciana Lóssio, ex-ministra do do TSE – Tribunal Superior Eleitoral (TSE) propôs alterações na proposta da reforma política, prevista pelo deputado Vicente Cândido do PT de São Paulo na Câmara. A ponto em questão diz respeito a alternância proporcional entre mulheres e homens. Luciana Lóssio participou da audiência pública sobre o tema e mostrou seu ponto de vista em relação a proposta de lista fechada.

A ex-ministra afirmou que é preciso ter igualdade. “Vejo com muita simpatia a lista fechada, agora é importante aqui fazermos uma adequação no que toca a alternância de gênero”. Para ela a lista fechada com alternância de gênero realizada a cada 3 candidatos estimula e favorece a igualdade.

A lista fechada permitiu que países como México e Argentina tivessem uma maior participação feminina no parlamento. A proposta de Luciana Lóssio é de começarmos com 3 para 1, em que pelo menos um candidato tem que ser mulher. O passo seguinte é chegarmos a paridade e alternância até chegar um homem e uma mulher.

Porque a paridade é necessária

A ex-ministra, cujo mandato terminou no início de maio embasa sua posição em dados e afirma que está reclamando os direitos pelo fato de que o retrato atual ainda reflete o século passado e retrasado.

As mulheres representam 52,13% do eleitorado;

Menos de 10% do número de deputados federais são mulheres;

No Senado 13% são mulheres;

Apesar de termos eleito uma mulher para presidência, elegemos apenas uma mulher para governadora de Estado;

Nas eleições municipais de 2016 13% dos candidatos eleitos para vereador são do sexo feminino e 11% das prefeitas.

Como foi a despedida de Luciana Lóssio

Durante a sua última sessão no TSE, a então ministra Luciana Lóssio recebeu homenagens no Plenário por conta da atuação nos seis anos que permaneceu na corte. O presidente do órgão, Gilmar Mendes, em nome do Tribunal, agradeceu a ministra pelo trabalho, enfatizando sua postura agregadora e serena.

Gilmar Mendes recordou o início dos trabalhos da ministra na casa, afirmando ser o momento um marco histórico, uma vez que ela foi a primeira advogada nomeada para o cargo na vaga de jurista.

O ministro enfatizou a experiência dela na área do Direito Eleitoral e a necessidade de estabelecer a maioria feminina na composição do TSE quando passou a ser integrado por quatro mulheres e três homens. Durante esse período, a jurista atuou juntamente com as ministras Nancy Andrighi, Cármen Lúcia e Laurita Vaz.

Em seu discurso, Gilmar Mendes mencionou o empenho da ministra em estimular a participação das mulheres frente a política brasileira. Ele finalizou desejando sucesso pessoal e profissional, além de continuar a dar voz à participação das mulheres em todos os espaços institucionais do Brasil.

O movimento Mais Mulheres no Direito também homenageou a ex-ministra pelo empenho na defesa da mulher em ter mais espaço na sociedade e na política ao longo dos últimos seis anos. A homenagem foi realizada no Salão Nobre, situado no primeiro subsolo do TSE, após a última sessão plenária que a ministra participou.