Dicas para se dar bem na Black Friday e sem grandes dívidas

Dori Boucault, que é advogado especialista em Direito do Consumidor e do Fornecedor, quando questionado sobre Blakc Friday e situações do tipo, logo destaca o quão fundamentais são os atos tanto de observar e pesquisar quanto de verificar e obter as informações sobre os produtos desejados. Afinal, passada a euforia das grandes promoções, é que mostram-se os problemas com suas faces reais, podendo ser eles de difícil resolução, trazendo assim um possível endividamento consigo. Para evitar coisa assim ou até piores, aqui vão sete dicas do referido advogado:

Primeiro de tudo, faz-se necessário avaliar se é necessário de fato comprar determinado produto ou não, sendo apenas essa avaliação já bastante útil para que a pessoa não se endivide desnecessariamente. Segundo o advogado, não devemos comprometer mais que 30% do orçamento, e tanto faz se em prestação, parcela ou financiamento.

Em segundo lugar, é importante conhecer direito a política de privacidade da loja, principalmente a parte dos compromissos que essa empresa tem quanto ao armazenamento e manipulação dos dados pessoais dos seus clientes. Afinal, há a possibilidade da empresa, caso não especifique a questão, estar comercializando informações dos seus clientes para outros lugares, a exemplo das empresas de marketing.

A terceira dica dada é a de que se deve sempre armazenar os documentos envolvidos com determinada compra, a fim de que se previna da possibilidade de fraude ou de problemas outros que possam surgir mais adiante. E com isso, Boucault quer dizer qualquer tipo de documento que poderá vir a servir de prova, seja como oferta, promoção ou até mesmo entrega. Então, com “arquivo”, pode-se entender não só algum contrato, anúncio ou comprovante de pagamento, mas até mesmo um “print” de tela.

Em quarto lugar, vem a pesquisa antecipada, que, como o próprio advogado ressalta, pode se dá até mesmo no site, não apenas na loja física, mas sempre busca tanto da identificação da empresa quanto da razão social e do CNPJ, além de endereço e canais de contato. Quando não se tem acesso a tudo isso, a compra torna-se insegura.

A quinta dica, por sua vez, tem a ver com o e-commerce. Ainda que seja feita a compra pela loja virtual, é interessante a existência de alguma sede física, de modo que possa o consumidor ter um local para onde se dirigir, caso necessite resolver algum problema. Além disso, quando não há pelo menos uma sede, corres-e o risco de ser aquela suposta loja apenas um “site de fachada”. Sendo ainda essencial a realização da compra apenas em computadores de confiança, excluindo-se então os das lanhouses ou cybercafé, por exemplo.

E a sexta dica toca na questão da entrega em domicílio, pois, como sugestão do advogado, o certo é solicitarmos que o prazo de entrega seja anotado ou na nota fiscal ou no recibo. Enquanto que, chegando à sétima e última dica, temos como conselho a “busca antecipada por preços”, visto que, na concepção do advogado, termina sendo mais fácil de identificar aquelas que são “pseudo-promoções de Black Friday”, por assim dizer. E indo mais além, Boucault termina com uma observação que, apesar de especialista, traz um fato que já deveria ser de senso comum: as compras que forem realizadas durante a Black Friday também serão contempladas pelo direito do consumidor, sendo que, para produtos e serviços não duráveis, o prazo será de 30 dias, e que, para serviços e produtos duráveis, o prazo será três vezes maior, ou seja, 90 dias.