Dados sobre as vendas no comércio em 2016 deixam empreendedores desanimados

Os números relativos às vendas no comércio em um determinado ano são um importante indicador a ser analisado pelos empreendedores desse segmento no momento de planejarem suas estratégias para o decorrer do ano seguinte. Seguindo esse raciocínio, 2017 pode não ser um bom ano para quem quer abrir um negócio ou fortalecer aquele que já possui nesse setor.

Isso porque, segundo dados divulgados no final da primeira quinzena de fevereiro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016, as vendas no comércio brasileiro apresentaram o pior resultado dos últimos 15 anos. A queda foi de 6,2%. Desde 2001, quando o instituto deu início à série histórica, este foi o maior recuo nesse índice, que tem muita relevância dentro do balanço anual da economia nacional.

E o cenário é ainda mais desanimador devido ao fato de que 2016 já foi o segundo ano consecutivo em que as vendas no comércio diminuíram. A retração em 2015 foi de 4,3%, o que já foi considerado um número extremamente negativo para o setor.

Levando-se em conta o último mês de 2016, o recuo foi de 2,1 por cento na comparação com novembro do mesmo ano, que havia apresentando uma pequena elevação em relação ao mês anterior (1%). Já quando são confrontados o 12º mês de 2015 e dezembro de 2016, este último apresentou uma diminuição de 4,9% no volume das vendas no comércio.

Analisando os resultados de acordo com as oito atividades que compõem o setor de vendas, é possível perceber que, em 2016, todas apresentaram retração, com destaque para “livros, jornais, revistas e papelaria”, atividade que teve o maior recuo (16,1%). “Móveis e eletrodomésticos” (-12,6%), “equipamentos e material de escritório, informática e comunicação” (-12,3%) e “tecidos, vestuários e calçados” (-10,9%) também tiveram um peso bastante significativo no resultado final das vendas no comércio.

Segundo o que afirmam os economistas, esses números ruins apresentados em 2016 são o reflexo de vários fatores, sendo que, os juros elevados, a inflação e os dados ruins referentes ao mercado de trabalho são os principais. Em relação a este último aspecto, dados divulgados recentemente pela CNC (Confederação Nacional do Comércio) apontaram que o comércio varejista brasileiro, apenas em 2016, fez 182 mil demissões, além de ter fechado quase 109 mil lojas.

Contudo, embora todas essas informações sejam realmente desanimadoras para os empreendedores e tenham influência direta em suas estratégias para 2017, há alguns motivos para que seja criado um cenário um pouco mais otimista.

O fato de a inflação ter terminado 2016 dentro do teto da meta estipulada pelo governo e a diminuição das taxas de juros anunciada pelo Banco Central e por alguns dos principais bancos do país são alguns exemplos nesse sentido. Porém, como o mercado de trabalho ainda está enfrentando grandes adversidades, é necessária muita cautela por parte dos empreendedores no momento de planejarem suas atividades para 2017.